quinta-feira, 28 de maio de 2015

O luto





Fui hoje a uma palestra interessante de uma psicóloga, sobre o luto e o hiperativismo da felicidade nos tempos atuais. Achei tão interessante que resolvi trazer os conceitos discutidos na palestra para a vertente do nosso blog, me referindo a amor e relacionamentos.

Na palestra foi dito a respeito do hiperativismo da felicidade dos tempos atuais, ou seja, existe uma massificação do conceito de felicidade, uma imposição por parte da sociedade de que todos sejam felizes a qualquer custo, o que gera uma corrida pela felicidade, seja ela material, estética, emocional, profissional.

As pessoas que não se enquadram nesse padrão de felicidade se sentem excluídas, elas próprias se excluem por não alcançar a felicidade, experimentam o fracasso, a baixa auto estima, podendo levar a estados que aos olhos de alguns possa ser depressivo.

Mas a questão é, que nem tudo é depressão, a idéia exagerada de felicidade e que todos devem ser felizes e positivos o tempo todo, pode generalizar a idéia de depressão. A pessoa deve pensar no porque se acha depressiva, nem sempre o fato de uma pessoa ser mais reclusa, quieta, quer dizer que seja depressiva.

Isso nos leva a questão do luto, quando perdemos alguém, um emprego, alguma coisa que nos cause dor, devemos viver esse luto. Como nosso blog fala de relacionamentos, vou me referir a términos de relacionamentos.

Segundo Freud, quando entramos em um relacionamento com alguém fazemos um investimento, estamos investindo sentimentos, planos, ilusões, fantasias, esperanças futuras. Quando o relacionamento acaba, tudo que foi investido volta para dentro da pessoa que fez o investimento em igual intensidade, isso causa uma enorme dor. Essa dor deve ser vivida, é o luto, cada um tem sua forma de viver o sofrimento, o importante é não reprimi-lo, pois só vivendo o luto, chorando, sofrendo, a pessoa depois do seu tempo, consegue fazer um novo investimento em outra pessoa.

Ou seja, quando estamos sofrendo por algum motivo ou termino de um relacionamento, aparece alguém e diz. "Deixa de bobeira, fica assim não, fica feliz." Se você está triste e com raiva, tem mais que chorar. 

Outra coisa que não funciona e não acho legal, a idéia de que um novo amor cura uma perda. Se você não viver o luto do relacionamento, a pessoa que vem a seguir, assume a responsabilidade de curar as frustrações da relação anterior e mais, é imposta a essa pessoa toda a idealização e cobranças do parceiro antigo que se foi e essa pessoa nova e a antiga não são as mesmas pessoas, seria injusto. É preciso viver o luto, as lembranças do parceiro que se foi, curar as feridas, reunir as energias e assim depois de todo um processo, a pessoa consegue fazer o investimento emocional em cima de uma nova pessoa.

Conselho de hoje, viva o luto do término de um relacionamento, fique triste, chore, sinta raiva, sofra, lembre de tudo, mas desencane. Viva o luto, porém não faça ele ser eterno. Quando o seu próprio tempo de luto terminar e você recuperar suas forças e energias, invista novamente no amor com uma nova pessoa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário