sexta-feira, 14 de julho de 2017

A vida continua, quando não podemos contar com o parceiro ?




Hoje vou contar uma história que aconteceu comigo no ônibus. Meu ônibus demorou muito, o transito estava péssimo, demorei umas duas horas para chegar em casa do trabalho. Uma moça pede licença e se senta ao meu lado, até aí tudo bem.

Reparei que ela olhava fixamente para o nada e com um olhar vazio, mas ela podia apenas estar pensando em algo, hoje em dia quem não tem problemas. Foi quando passamos com o ônibus em frente ao Colégio Pedro Segundo no Humaitá, ela me perguntou que colégio era aquele. Notei pelo tom de sua foz e a forma de falar, que ela não estava em seu estado normal, a voz era muito lenta, como se ela estivesse dopada. 

Ela começou a contar sua história, disse que estava sob efeito de remédios fortíssimos, que teve um surto de síndrome do pânico e os médicos descobriram que ela sofria de transtorno bipolar e ela não sabia, ela estava com uma depressão muito forte.

Ela contou que era empregada doméstica, morava na casa da patroa, mas que havia se casado e foi morar com o marido porteiro de um prédio em Copacabana, o casal foi fazer uma viagem para uma praia no Nordeste a um mês atrás e aconteceu um problema na roda do avião, a moça ficou apavorada, entrou em surto e ficou muito doente. O resultado foi que esse sujeito que ela tinha "recém casado", não quis cuidar dela, abandonou ela por ela ter ficado doente ou melhor, expulsou ela de casa e ainda alegou ter sido enganado, porque ela não disse que tinha uma doença que nem ela sabia, a patroa que está dando apoio e ela voltou a morar na casa da patroa mesmo doente. 

Perguntei a ela a quanto tempo ela conhecia esse homem com o qual ela foi morar e ela me respondeu que o conhecia a oito meses, eu lhe disse que era muito pouco tempo. Eu disse que pessoas de confiança, pessoas que confiam umas nas outras, são aquelas que se conhecem a bastante tempo e sabem que podem contar para qualquer tipo de problema.

Eu ainda disse mais, disse a ela que deveria se cuidar, pensar nela e em sua saúde, que um dia tudo iria passar e com o tratamento o problema iria ficar controlado e quando isso acontecesse e ela melhorasse, um outro sujeito iria aparecer, ela contaria toda essa história e esse já saberia de seus problemas, sendo assim aceitaria ela do jeito que é.

A moça sorriu e disse que ninguém tinha dito isso a ela, mas que era verdade, outro cara se quisesse aceitar já saberia de tudo, me agradeceu muito pelo conselho e foi embora.

Fiquei pensando, muita gente pensa que tem um relacionamento com alguém, mas hoje em dia as pessoas pensam muito em si mesmas. Até que ponto se pensa no outro? E se a pessoa com quem me relaciono ficar doente, será que eu irei cuidar? 

É muito difícil construir um relacionamento sólido nos dias atuais, é muito difícil poder contar com as pessoas nos momentos difíceis, muito pelo contrario, parece que os momentos difíceis existem para nos mostrar quem são as pessoas, quem está ao nosso lado nos apoiando.

domingo, 2 de julho de 2017

Dedo podre é odiar a si mesmo.




Ter o dedo podre na hora de se interessar por alguém é o mesmo que odiar a si mesmo, é apenas o reflexo da sua baixa auto estima se manifestando, algumas pessoas ainda se conformam com essa condição, como se fosse algo imutável.

Auto estima é estimar-se, gostar de si mesmo. Quando gostamos de nós mesmos, apenas queremos o melhor e esse melhor não é o esteticamente mais belo ou o que possui mais bens materiais, mas aquele que trata com respeito, aquele que dá valor. Amor verdadeiro.

Pela lei da atração semelhante atrai semelhante, então quando estamos bem psicologicamente e energeticamente atraímos pessoas boas, mas se estamos mal, atraímos o mal.

Esses dias eu estive analisando as escolhas da minha vida, comparando com os momentos que eu estava passando, fazendo um balanço geral e algumas conclusões interessantes me vieram em mente.

Pontos interessantes das minhas reflexões. Eu sempre fiz escolhas erradas. Eu nunca escolhia o melhor, pois não me achava boa o bastante para ter o melhor e o mais aterrador e estranho, eu tinha raiva dos rapazes que gostavam de mim de verdade e afastava eles de mim, o simples olhar deles era insuportável.

Eu sempre fiz escolhas erradas, porque sim, admito sempre desde novinha tinha baixa auto estima, mas vivi momentos difíceis de bullying desde a infância, hoje eu sei que tudo que passei foi resultado da dislexia, um problema que dificulta a leitura e a escrita, trazendo uma outra série de problemas que transparece muito na escola, mas ao mesmo tempo proporciona algumas habilidades especiais, mas a vida do disléxico não é fácil e isso tudo reflete no psicológico, hoje eu sei, mas antes eu não sabia, eu sofria com complexos de inferioridade e assim acabava fazendo escolhas erradas, atraindo pessoas erradas.

Esse complexo de inferioridade que é muito forte e difícil de vencer, somado a bullying, geravam uma baixa auto estima enorme, então imaginem uma menina que alguns diziam que era a mais bonita do bairro simplesmente não querer o melhor para si mesmo por não se achar merecedora, não eu não sou convencida e nem gosto de gente que se acha, eu não me achava bonita, as pessoas que diziam que eu era.

Sentir raiva de quem se interessa por mim de verdade, talvez essa deva ser a conclusão mais estranha. Não estou me referindo a qualquer interesse, geralmente eu costumava a dar chance aos que apenas se interessavam, mas esse geralmente eram superficiais, se interessavam pela beleza somente. 

O que me assustava, me dava repulsa, era ver o brilho nos olhos, rejeitei muitos, tratei mal, muitos olhos que brilhavam na minha direção de longe, nem deixei que se aproximassem. Quando a minha intuição me avisava que a coisa era séria eu repudiava, mas porque isso? A resposta é simples. Somos espelhos, duas pessoas são dois espelhos se olhando, um enxerga coisas que o outro talvez não consegue enxergar, isso pode irritar ou agradar a outra pessoa. Se alguém interessado realmente enxergava as qualidades e gostava do que via, gostava de mim, ele não teria uma boa resposta, já que eu mesma não gostava de mim mesma, sendo assim eu acabo procurando aquele que finge que gosta mas não gosta, o mentiroso aproveitador.

Meu conselho é, antes de pensar em arranjar alguém pare e pense, analise sua vida e suas escolhas. Compare seus momentos de vida com suas escolhas, existe alguma semelhança?

Não faça escolhas se estiver com baixa auto estima, procure se elevar, procure ajuda.