Muitas pessoas pensam em um relacionamento baseado em interesses financeiros, como se a estabilidade de um casamento estivesse em uma base financeira sólida.
Não vejo a questão financeira como essencial, claro que ela tem sua importância para sustentar a pessoa, oferecer uma independência fora das asas dos pais e depois na aquisição de um par, na formação de um casal, uma família, você precisa ter sua independência financeira. Porém a questão financeira não deveria estar em primeiro lugar na vida das pessoas e sim o caráter, amizade, companheirismo, uma série de coisas que formam um relacionamento sólido.
O dinheiro deveria ser para sobrevivência, prover condições de vida aceitáveis e não a mola mestra da vida de uma pessoa. Ninguém deveria se manter em um relacionamento por dinheiro ou iniciar um relacionamento por dinheiro ou até manter em sua mente o paradigma, de que um bom relacionamento é quando você encontra um pretendente de posses, nem sempre esses são bons pretendentes.
Vou contar duas histórias de duas pessoas que eu conheci para explicar melhor essa questão para vocês.
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Há muitos anos atrás, conheci uma moça em um curso de formação de professores que eu estava fazendo.
O curso não era caro, era um curso barato, mas essa moça vendia salgados para pagar as mensalidades do curso, até aí tudo bem.
Mas essa moça era casada e tinha duas filhas, o marido era empresário e tinha uma situação financeira abastada, eles moravam em um apartamento em Ipanema de quatro quartos com suite, quase de frente para o mar, na Praça General Osório.
Espera, para tudo, como assim !!!!
Vocês entenderam o que eu disse, a moça é casada com empresário, mora em um bairro caríssimo do Rio, em um apartamento enorme, de frente para praia e faz salgado para fora, para ter como pagar o curso.
Segundo a moça nos explicou, ela é judia e ele também, só que ela é de uma família judia mais humilde e não foi muito bem aceita pela família dele.
E para os judeus cabia a mulher sustentar os filhos e ao marido sustentar a casa, como ela não tinha emprego, ela tinha que vender salgado para sustentar as filhas, o homem não dava nada para as filhas, a não ser a mensalidade da escola e plano de saúde, mas a parte de alimentação, roupas, lazer e todo resto, a mãe que deveria se virar para prover sozinha, por isso entrou no curso de professora, para tentar um emprego e parar de cozinhar para fora, mas o homem exigia que ela permanecesse magra, então pagava academia para ela e mandou até ela tirar uma pinta da perna cirurgicamente, que ele não gostava, a pinta era parecida com a da Angélica, só que o dobro do tamanho.
Havia uma outra mulher judia em nossa classe, ela disse a moça: "Sinto muito, este homem está te enganando e se aproveitando de você, e usando a cultura judaica para isso".
Casamento deveria ser a união de tudo, inclusive financeira e se até um casal que se separa, o homem deve pagar pensão alimentícia ao filho, como podia este homem que era tão abastado, estar casado e não sustentar a mulher e as filhas, a não ser que fosse para atender os seus interesses.
A mulher vivia uma vida de pobre, em um castelo de frente para o mar e iria continuar na mesma situação, pois professor ganha salário de fome aqui no Brasil. Mesmo que ela se formasse em professora, ainda estaria passando dificuldades financeiras para sustentar as filhas, mesmo tendo ao seu lado um marido empresário abastado.
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Na minha segunda história é sobre um grande amigo meu, que eu gosto muito, de um grande caráter, eu o conheço desde a infância.
Esse meu amigo era filho de um chofer e uma empregada e moravam em uma casa grande atrás da minha. Na casa tinham muitos labradores, quase dez e eles ficavam olhando por cima do muro alto.
Esse meu amigo de origem humilde aprendeu sozinho a lidar com os cães, desde pequeno começou a trabalhar com eles, se tornou um treinador, empreendedor. Quando cresceu montou seu próprio negócio e prosperou, colocou pessoas trabalhando com ele, mas mesmo assim, ainda tinham clientes que exigiam sua presença, por causa do seu profissionalismo no treinamento.
Ele treinava e passeava com os cães e assim conseguiu seu sustento, sua estabilidade financeira. Porém seu caráter não o deixava que sua situação financeira lhe subisse a cabeça, ou que esquecesse das pessoas a sua volta.
Lembro sempre de nossos encontros e uma outra amiga minha também relatou a mesma coisa vinda da parte dele, ele sempre pergunta se estamos bem, se precisamos de alguma coisa, se estamos precisando de dinheiro, porque se houver algum problema seja lá o que for, para pedir ajuda a ele, que mesmo que ele não tenha como ajudar de imediato, ele sempre vai tentar fazer alguma coisa.
Não preciso dizer que esse meu amigo é o tipo de rapaz que quando tem uma namorada, esposa, ajuda em tudo, inclusive financeiramente.
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Para começar, um relacionamento deve ser baseado em confiança mutua, se não existe essa confiança é melhor que não exista esse relacionamento. Se você desconfia que não existe sentimentos vindos da parte da pessoa e sim interesses financeiros, então é melhor partir para outra e não se envolver.
Nem sempre as coisas são o que parecem, essa é para essas pessoas que se baseiam em interesses financeiros, muitas vezes você se envolve com alguém esperando ter uma vida de luxo e o sujeito é pão duro, você vai ter de se sustentar e muitas vezes por preconceito, você joga fora uma pessoa de origem humilde, que no fim te daria uma vida muito melhor e feliz.
A felicidade está nas coisas simples da vida, os relacionamentos tem bases mais fortes quando não são pautados em valores financeiros. O caráter do parceiro, o companheirismo, respeito, a amizade, que vão determinar se você terá uma vida boa e não o seu dinheiro, pois do que adianta estar com alguém abastado e mal caráter, que vai te tratar mal, você não tem que se sujeitar a esse sofrimento.
Tenha autoestima, dinheiro e situação financeira cabe a nós mesmos fazermos e não depender do outro, o dinheiro é um meio de sobrevivência no mundo capitalista e não de felicidade, a felicidade está dentro de você e está em você se amar, para amar o outro, somente com auto estima encontramos alguém que nos valoriza de verdade.

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